e quem disse que no mato é silêncio?

do medo de sapo e derivados, passei a lamentar a minha invasão, afinal a casa é deles e não de 4.000 pares de pés urbanos num entra e sai como se fossem raios laser desgovernados. Não vi sequer um, só uma perereca amedrontada no canto mais camuflado do suposto box. (dispenso os trocadilhos)

só quando cheguei lá é que eu entendi o que queriam me dizer. A loucura é calma. O som é alto, mas a voz é baixa. No rock’n roll estridente, saltos e berros colidem com movimentos lentos. A barba é comprida, mas os sorrisos a vencem e prevalecem. O violão é um só, mas a roda vai aumentando em progressão aritmética, onde as cervejas e as viagens vão passando de mão e mão. Troca de bandas, palcos, letras, experiência e calor.

“aquele povo doido” joga as latas num cesto escrito “latas”, o plástico no que é escrito “plástico” e por aí vai, leva os filhos pendurados no cangote pra frente do palco, mesmo porque eles ainda nem andam, sai da bagunça e vai assistir a um filme, fazer oficina de papel reciclável, xamanismo, desenho de nú artístico, roupa de bexiga, yoga, tai chi. Também, para tanta fantasia é preciso fomento.

sim, existe uma certa hipocrisia por baixo dos dreads, do pé na grama, da fumaça compartilhada, do título de “reciclável” e “independente”, mas transcende dos chãos que eu já sambei por aí. Não é melhor nem pior, é diferente. Um diferente bom, aquele que eu volto pra casa e risco da minha listinha de “coisas que eu ainda preciso fazer”.

estar lá me fez mais uma vez concluir que eu sou dependente de gente. Curtir, cutucar, postar só me confundem. O que eu gosto mesmo é de conhecer pessoas de verdade e reconhecê-las, claro, para eu ter certeza que eu não andei em vão (o Mávilo é ainda aquele Mávilo de olhar manso e voz doce, senão mais). Como já disse, quando a vovó aqui deixar de estar vovó e passar a ser, quero ser feliz por ter conhecido um mundo de lugares e pessoas. Pessoas psicodálicas que divagam no mato, na selva (de pedra também) e em muros.

Postado por Lis Sayuri. “Meu corpo tá aqui, mas meu espírito é de lá.”

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3 respostas para e quem disse que no mato é silêncio?

  1. Daqueles que me instigam. Daquelas que quero levar pra sempre. Seu texto, você.

  2. Regina disse:

    Também quero!

  3. Cris disse:

    me deu vontade de ir! Ficou muito bom seu texto Lis!

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