Viver assimilando

Quero fazer deste um espaço feliz. Por isso não vou sobrecarregá-lo com dramas e mágoas que já não fazem sentido algum. Basta dizer que eu andava meio morta.

Foi em julho, durante uma viagem para BH, vendo o mesmo filme, com a mesma amiga que, assim, de supetão, a realidade bateu com força na minha cara. Juro que não foi nada bonito.

Depois veio a crise.

O que ficou claro é que  tinha chegado o momento de tentar agir de forma diferente. Comecei retomando o contato com meus amigos. Primeiro pelo Facebook mesmo, depois cara a cara e nas noitadas. Passei a abrir as cortinas do meu quarto e a deixar que o Fórum inteiro me visse. Voltei a pintar,  a escrever,  a querer e perdi o medo de ser surpreendida pelos acontecimentos. Em pequenas medidas fui me abrindo para o mundo, para as pessoas, para o acaso e desde então uma mudança começou a se produzir em mim. Uma mudança mais relevante, que não foi resultado de um rompimento, como dei a entender, e sim de um processo.Entrar em parafuso foi só um empurrão para assimilar coisas que eu já sabia.

E de repente a insegurança que me acompanhava desde menina ficou pequena, o fantasma daquela cidade iluminada que vivia me assombrando já não me assusta mais, percebi que não sou mais tão frágil, pelo contrário, sou forte e importo e, por isso, o medo de vir a quebrar, apesar de ainda estar aqui, já não me impede de me entregar aos meus sentimentos, por piores que sejam.

Tudo o que aprendi nos últimos anos, seja nas viagens que eu fiz, nos livros que li, nos filmes que eu vi, nas pessoas que encontrei, nos meus dias de estudo ou até nos meus desenhos esquisitos, veio à tona. Me senti a razão de ser da palavra competência (foi uma reação exagerada, eu sei). E, como se tudo isso desembocasse em uma coisa só, as várias informações desorganizadas tornaram-se uma unidade, uma pessoa. As coisas que achei que eram parte do passado começaram a me servir. Com 26 anos e 13 kg a mais, cheguei no meu auge. Não se trata de estar alegre e cantarolando o tempo todo. É que depois de ter chegado tão perto da “não-existência”, todas as experiências boas ou ruins me parecem extraordinárias.

É evidente que ainda devo me esforçar para não me esquecer das coisas que assimilei. Também não me iludo achando que não vai haver retrocessos. Sou meio nova nessa coisa de viver a vida, de ser feliz e então sei que pode ser apenas uma fase de clareza ou de euforia com a novidade. Os meus passos são desastrados e ainda há muita coisa que devo aperfeiçoar. Estou consciente de que isso é o começo.

E que fique claro que eu não vou parar de extravasar de vez em quando ou deixar de ser absurda. Isso faz parte de mim e não há como mudar. Aliás, levou anos para que eu me aceitasse assim. Amadurecer para mim foi conseguir ver onde cheguei e não precisar mais me perguntar “o que vou ser?”, porque eu já sou. E isso não é de forma alguma deprimente, é na verdade de uma leveza que espanta.

P.S: Este processo não é lá tão inteligível para explicar em apenas um post. Mas, como eu estava conversando com o Fernando, nós nunca estamos sozinhos e por mais bizarros que possam parecer nossos sentimentos e pensamentos, sempre existiu ou existe alguém que passou pelo mesmo. Isso sem falar naquelas emoções que são universais, mas ninguém fala delas ou por falta de coragem ou porque não existem palavras para designá-las. Prova disso é o livro da Clarice Lispector “O Livro dos Prazeres ou uma Aprendizagem” em que a personagem principal também está aprendendo a viver, após ter se fechado para a dor e conseqüentemente para qualquer outro sentimento. Bendita a hora em que fui conhecer esse livro!

PPS: Já que recomendei um livro, vou também recomendar um filme que assisti ontem e que não sai da minha cabeça: Drive.

PPPS: Hahaha só pra imitar Max, o “Aspie”. Dias bons no Rio…

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5 respostas para Viver assimilando

  1. Cris disse:

    Regi ser absurda é o que te faz especial e única e insubstituível.
    Todo mundo tem o seu tempo de aceitar e de assimilar. E simplesmente de ser.
    ” É que depois de ter chegado tão perto da “não-existência”, todas as experiências boas ou ruins me parecem extraordinárias.” Me identifico mto com isso de verdade. Eu sempre quis viver tudooo.
    Gostei mto! Essa Regi nova fase me inspira! Vc se garante!

    Ahh estou adorando o livro. Tem dias que sou Lori e outras que sou Ulisses! rs

    • Regina disse:

      Ah, obrigada Cris!!! Fico feliz demais em saber disso!!
      Qto ao livro, estive pensando, acho que sou Lori e Ulisses! Mas incrível como este livro me lê, olha só essa frase: “Como se ela fosse um pintor que acabasse de ter saído de uma fase abstracionista, agora, sem ser figurativista, entrara num realismo novo”. Lembra do meu post anterior? Ás vezes quase nem acredito no que estou lendo!!

  2. Samara Reis disse:

    Ufa!!! Intrigante. Bom fiquei sem palavras. Mas lembre de um poema que escutei ontem e postei no face hoje (abaixo um trecho):
    …Não há que tirar nem pôr
    Não me corte em fatias
    Ninguém consegue abraçar um pedaço
    Me envolva todo em seus braços
    E eu serei o perfeito amor…
    Mário Quintana….

    Me deu uma vontade de abraçar você. Saudadessss….
    A cada dia te admiro mais. Você consegue transformar a existência em algo tão profundo. Me falta ar.

    beijos

  3. Vivi disse:

    Regisss por isso que eu te adorooo!!! Cada um é especial ao seu jeito! Volta pra cá em dezembro pra eu te dar mais atenção!!! Bjos

    • Regina disse:

      Vivi, não foi satisfatório. Não deu pra matar a saudade de vc!! Não vai dar pra eu voltar em dezembro não, mas ano que vem, quem sabe? Bjos

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