Laissez Faire

Sempre preferi a palavra ao silêncio. A palavra liberta. O silêncio adoece. Abre distâncias que podem nunca mais ser percorridas. Até a quem não se tinha afeto, haveria claro uma fala que acolheria. Isso era antes. Tenho percebido que estou me tornando o que sempre combati. Na falta de uma palavra boa, tenho me escondido neste lugar dos que não tem nenhum sentimento a expressar.

A indiferença é a antítese do amor me disse alguém um dia. Nem raiva, nem dor, nem alegria ou apenas fraternidade. Antes falar me valia em qualquer circunstância porque podia gerar a tão procurada compreensão. Mas percebi que nem sempre tenho isso para todos e eles para mim. Ou mesmo amor, nem qualquer outro dizer que aqueça, que desperte, que reconcilie, que contemple.

Superficial. Relações que não valem palavras. Efêmeras. Lutas pelas quais não morreria. Intolerância. Coisas pelas quais nunca me interessarei. Descobertas que me apresentam a maturidade. Acho que envelheço ao contrário. Os sentimentos deveriam valer mais à medida que me conheço melhor. Pelo menos por questão lógica, as palavras deveriam ser mais ditas conforme se tem menos tempo de vida, este implacável senhor das nossas horas.

Mesmo na destemperança. Palavras que magoam, que ferem, que angustiam. Arremessá-las longe a fim que de elas não explodam dentro de mim. Não tem valido a pena. Para quem as mereça, perda de tempo. Para quem faria injustiça, o arrependimento.

Ou quando elas nos revelam sentimentos pelos quais não compartilhamos. O incômodo, a passividade, a culpa por toda essa oquidão(*). O silêncio é por vezes confortável. Inerte.

Ou ainda que se tenha sentimento a dizer. Ditos, por vezes e situações acabam subvertendo a maior virtude de uma conversa: o entendimento. Palavras professadas podem conjugar verbos confusos, remexer feridas esquecidas, dolorir corações apaziguados, provocar esperanças vãs.

Todos os silêncios para mim que nunca os quis. E na minha cabeça hipóteses mil. Especulações sofridas. A criatividade da nossa mente pode ser muito mais agressiva que a palavra sincera.

Eu sei, é triste. Sinto o peso que o vazio provoca. A vida onde faltam respostas ou onde se nega a concedê-las é cruel.

Eu rezo. Que as palavras voltem ao meu repertório, e que me cheguem sempre. Sejam elas boas ou más.

(*) Não sei se a palavra existe, mas neste caso era insubstituível.

Postado por Cristiane Tada. Cristiane é uma japa falsificada que adora descobrir coisas novas. É crente nas pessoas e em um mundo melhor livre dos clichês.

 

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4 respostas para Laissez Faire

  1. Vou silenciar…mas nesse caso significa muita coisa boa que estou pensando sobre o que você escreveu. Lindo e sincero.

  2. Regina disse:

    Vou falar mais uma vez: lindo Cris!!

  3. Lis Sayuri disse:

    Falar e falar um dia foi alívio certeiro, agora parece que eu caio numa redundância de coisas que eu não achei um propósito como eu previa. Às vezes eu tenho vontade de avisar um ouvinte de primeira: Tudo mentira, se não é mentira é só suposição. Num me dá moral!!!!

  4. Samara Reis disse:

    As palavras vão voltar. Eu espero que em breve. “EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir.”
    ( Isaias 59:1), Deus te ama, ele quer te abençoar, ele tem um plano perfeito para você e na hora certa vai te mostrar.”
    E suas palavras voltarão com força e fé.
    TE AMO amiga

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