Terapia ou adestramento?


Mês passado Zé teve sua primeira aula de adestramento. Eu fiquei mais ansiosa que ele, lógico, já que ele não fazia idéia do que o esperava. Meu medo era o adestrador dizer que meu amado cão era um caso perdido, mas não foi bem assim. Zé exagerou um pouco na recepção a seu professor. Quase o feriu com uma cabeçada no queixo, tudo porque viu “Tia Cris” chegando.

Ele ficou bem ressabiado e com uma pulga atrás da orelha, quando aquele homem pegou sua guia. Era a primeira vez que alguém o tratava como um cão subalterno e o cobrava obediência.

O adestrador pediu então que eu falasse um pouco do Zé. Pude perceber que ele se arrependeu de ter pedido que eu falasse. Imagina alguém me dar uma oportunidade de falar, ainda mais o quanto eu quiser! Depois de fazer um apanhado de todas as peripécias do meu cão, percebi que o erro todo foi meu.

Na verdade eu já sabia que eu tinha errado, mas nunca tinha tido tanta certeza. Se eu criei Zé sem limites algum, como criarei meu futuro filho humano?

Dia desses Zé brigou na pracinha. Ele podia ter brigado com um Golden, com um Labrador, mas não! Ele tinha que brigar com um Pit Bull! É duro admitir, mas a culpa foi dele! Tudo porque o outro cachorro queria “sua” bolinha (detalhe que a bolinha era roubada de outro cão), ele não gostou e atacou o cachorro. Uma briga com mais de 5 minutos de duração, que me fez congelar o estômago e tremer dos pés à cabeça. Nenhum dos dois se machucou. Coloquei a coleira no Zé e sob olhares e pensamentos de condenação, fui embora. Disse a ele: “Estou decepcionada com você!”

E alguém ousa dizer que ele não entendeu? Abaixou a cabeça e lá fomos nós dois, calmamente, embora pra casa.

Liguei pra minha mãe pra dividir com ela minha decepção. Como é ruim você criar um cão com todo amor e ele se tornar “o revoltado da pracinha”. Como é ruim as pessoas lançarem olhares pra ele como se ele fosse ruim! Eu sei que ele não é! Ele é um ótimo cão!

“Ai mamãe, deve ser bem pior quando acontecesse isso com filhos! Você cuida com tanto amor e ele se torna um louco, julgado pelas pessoas”, desabafei ao telefone.

“Viu como é ruim”, respondeu mamãe, me fazendo refletir que por trás desta resposta havia uma grande indireta pra mim. Não que eu seja uma louca julgada por todos, mas sei que muitas vezes eu não sou a filha que ela imaginou ter.

Num passado nem tão distante, toda vez que chegava em casa, lá na Vila Carli, antes do meu vizinho Marcelo chegar gritando: “ViviannEEEE, tem figurinha do cachoro pra dá?”, antes de passar pelo Mini Big (Mini no tamanho, BIG oferrrtas), eu parava em frente a um portão de uma linda casa e perdia a noção do tempo brincando com um lindo e delicado Golden Retriever.

“Quando me formar terei um desse. Ele vai andar solto me seguindo pelas ruas, lindo e obediente.” Sonhava eu, enquanto alisava Gioconda, a labradora de dupla personalidade.

Zé é bem mais fofo e lindo que o Golden da Vila Carli, quem sabe até mais meigo e companheiro. O único problema dele sou eu e minha forma omissa de deixar que ele se comporte como o líder.

Falhei na educação do Zé, sei disso. Só agora consigo entender a morte da minha azaléia, não foi o sol, nem o calor, foi a minha displicência! Zé não é somente um cão hiperativo, é também reflexo de uma “mãe” insana. Acho que preciso de terapia ou quem sabe adestramento.

Postado por Vivianne Marques

 

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2 respostas para Terapia ou adestramento?

  1. Lis Sayuri disse:

    há pêlos do Zé nos meus pertences. Vou anotar mais este item na minha lista “razões para nunca mais voltar.” Chenga!

  2. Samara Reis disse:

    Hahahaha…Vivi fiquei orgulhosa deste momento de reflexão sobre seu comportamento. Quem diria que você se considera uma mãe insana..rsrs
    Tenho certeza que Zé te ama. Os dois irão melhorar de comportamento. A vida ensina!!!

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