Quem vem com tudo não cansa

Bom eu não vendi meu notebook, na verdade ele pifou e tive que me endividar em parcelas comprando outro. Acho que o destino resolveu apertar o modo força total no desapego ao qual me propus há três meses. Nesse meio tempo algumas entrevistas e propostas indecentes. Entre freelas felas e o trato com gente que tá de saco cheio do que faz me fez voltar a refletir na questão antiga: é preciso mesmo escolher entre estabilidade ou realização profissional? Para entrar nessa roda que faz o mundo girar é preciso se conformar?

É assim mesmo Samy, às vezes parece que a peteca pode cair que ninguém vai ligar.

Mas, a verdade é que eu ligo.

Tudo que me proponho a fazer seja pelo jornalismo, pela escrita, por dinheiro, merece a tentativa do melhor, bem mais por mim do que por eles. Por que ninguém me tira minhas histórias. E nelas eu tenho pequenas e grandes vitórias, quantas eu quiser, quantas eu acreditar. Ninguém me tira um final de honroso legado, nem que ele seja o de apenas sobreviver, conforme os meus princípios , cárceres, coisas que mami ensinou e outras que peguei por aí.

Eu devo estar seguindo a minha estrela e o futuro é mesmo duvidoso não é Cazuza? Grana, dor? Podia ser mais fácil se já estivesse escrito na minha mão.

A única vez que leram a minha sorte foi durante uma entrevista que eu estava fazendo. Um japa nada a ver com a matéria e com história, incentivado por uma libanesa que nem falava português, apertou ainda mais os olhos para ler as linhas na palma da minha mão. Ele não disse o que viu, e só me deu um conselho: não siga pelo caminho fácil. Segundo ele haveria um momento especial que eu teria que escolher, e por isso eu deveria lembrar do que ele me disse. Nipônico maluco com um discurso de biscoito da sorte decorado eu sei. Mas como ele não fez por dinheiro e pelo ineditismo da coisa, não é que eu acreditei, eu simplesmente não esqueci.

Só que ultimamente eu tenho a sensação que isso ficou no meu inconsciente. Na incompetência de identificar “o momento” ou com medo dele passar despercebido ando pegando a contramão de tudo. Toda vez uma folha em branco pela frente. Ficou fácil? A então quero o caminho inverso. Nunca sigo a mesma linha de pesquisa, se o fulano me curtiu, eu quero conhecer o ciclano e se estou dando muito certo em algum trabalho penso nos desafios que me esperam o próximo.

Volta e meia eu esbravejo, reclamo do meu fado, da sina, do carma, mas no fim sempre enxergo sentido nesse amontoado de nãos que recebo e que dito na minha vida. Onde quer que eles me levem, o paraíso perigoso, estará comigo também a certeza de quem me levou para lá. Minha fé e minhas escolhas. E de onde eu vim isto de viver conforme a própria razão (ou falta dela), isso, lá de onde eu vim, é sorte.

Postado por Cristiane Tada. Cristiane é uma japa falsificada que adora descobrir coisas novas. É crente nas pessoas e em um mundo melhor livre dos clichês.

 

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6 respostas para Quem vem com tudo não cansa

  1. Lembra do sonho. É tosco, pobre, mas ainda assim… Parabéns, Cris! Pelo texto e pela vontade (não só vencer, mas) de ser! Beijo

  2. Samara disse:

    Amiga, lembra quando você me disse que se eu pedisse as contas no trabalho porque Deus mostraria algo melhor?
    Você me respondeu:você poderia ficar triste caso isso não acontecer.
    Foi quando eu percebi que Deus nos ajuda. Mas, precisamos fazer algo. Simplesmente esperar ele me arrumar um emprego maravilhoso não é o melhor plano.
    Admiro muito a sua coragem e a do Fernando em buscar mais…em querer mais e em acreditar que há algo a mais por aí…

    E realmente amiga tem…E vocês me fizeram acreditar que eu posso mais, mesmo não sendo tão corajosa…

    Beijos

  3. Tatiana disse:

    Samy, não é porque você não largou as coisas pra trás e foi com as malas e o terço na mão pro Rio, ou pra São Paulo, ou pro Amapá, isso não quer dizer que você não seja corajosa e não queira sempre mais. Coragem é viver todo dia tentando tirar dele o melhor, mesmo com todos os perrengues. Coragem é fazer planos, mesmo sem saber como vai pagá-los. Coragem é confiar sempre na gente, mesmo quando a gente desanima com a gente mesmo. Beijo!

  4. Lis Sayuri disse:

    Vamo que vamo minha gente! O negócio é fazer a canoa virar, vai ser mais legal quando a gente chegar lá.

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