Nossa curta memória…

Ontem pela manhã quando saí para o trabalho, havia dois passarinhos num galho de árvore que fica um pouco acima do portão do meu prédio. Passarinhos, que segundo o Google, são da raça Fluvicola Nengeta.

O que me chamou a atenção foi o fato deles estarem se bicando. Achei que fossem beijos de passarinhos, sabe? Então, como sou um exemplar da “carente de plantão”, parei com sorriso no rosto para admirar o amor animal, pensando por um instante se seria só esse o verdadeiro.

Bem, questões para um bom psiquiatra à parte, fiquei ali parada olhando os pássaros, quando percebo que eles não são um casal e sim mãe e filho. Não havia ali nenhum complexo de Édipo e sim e somente uma mãe alimentando seu bebê passarinho.

Em suma, o passarinho caiu da árvore e foi acolhido por Chico, o porteiro, que o apertou bastante, para que ele piasse e fosse achado por sua mãe. Chico colocou o passarinho em cima do galho, e ali ele ficou sendo alimentado pela mãe. Ela trazia no bico uma massaroca preta, que pela gula que o bichinho engolia, devia estar bem gostoso!

Gosto da natureza, dos animais, imagens assim marcam meu dia, me preenchem. Ainda mais por saber, que ainda existem pessoas como o Chico, que não passam despercebidas pelo sofrimento de um animal.

Hoje pela manhã ao abrir os olhos, fui surpreendida pelo olhar atento do Zé. Tenho certeza que se ele falasse sairia: “Está atrasada 30 minutos, não gosto dessa função soneca do seu celular!”

A manhã de hoje não estava tão fria quanto a de ontem. Mas mesmo assim ainda estava frio. Não tinham ninguém na portaria quando eu saí. Nem porteiros, nem moradores, nem passarinhos. Quando abri o portão só vi um menino deitado entre o canteiro da calçada e um carro estacionado. Vestia um moletom surrado e uma bermuda que mal chegava aos joelhos. Senti frio, mas não desses que gela o corpo, que era o que menino estava sentindo. Senti um frio no coração.

Chico não poderia ajudar apertando o garoto até que a mãe dele aparecesse… Eu não poderia admirar o Chico por ele ainda parar seus afazeres para ajudar um humano.

Eu não posso ajudar uma criança que dorme no meio da rua, mas talvez pudesse ajudar um cão da rua.

Aquela criança talvez não seja só mais uma criança, talvez ela já esteja deformada pela vida que foi imposta a ela.

Quando eu voltei do passeio com o Zé, a criança já não estava mais lá. Quando eu voltei do trabalho ontem o passarinho também não estava mais lá. A diferença é que o passarinho alçou vôo junto com a mãe. E a criança? Que criança? Nem me lembro mais…

Postado por Vivianne Marques

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Uma resposta para Nossa curta memória…

  1. Cris disse:

    Da próxima vez chama ele para um café da manhã comigo, vc e o Zé! 😉

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