Meio abstrata

Continuo devagar parando. Vocês sabem, eu fui a última a entrar no curso de Comunicação da Unicentro, era a última a chegar, a última a entregar os trabalhos, a última a ser escolhida e fui a última a começar a falar. Tanto que a Tati achava que eu era transferida porque nem se lembra de mim nos primeiros anos de faculdade. Na panelinha só entrei no último ano. Fui conhecer melhor essa pessoa mara que é a Lis dois anos depois de formada. E, como não podia deixar de ser, sou a última a postar no blog, embora meu nome esteja entre os divagadores desde o começo. Pra variar, escrevo com atraso. Adiantada mesmo, só cheguei no aniversário da Kelly (pra quem não sabe, apareci por lá um dia antes da festa).

Sempre fui assim. No último ano do segundo grau, meus amigos escolheram cantar para mim a música “Ando meio desligado” na formatura. Porém, apesar de continuar essencialmente a mesma, posso dizer que estou entrando em uma nova fase da minha vida. Agora ando meio abstrata e já nem sei mais onde estão meus pés e muito menos o chão. Por exemplo, se eu fosse um quadro seria o fim da “fase azul” e o início do “cubismo”.

Leio muito. Divido o meu dia entre o quinto volume de As Crônicas do Gelo e do Fogo, As teorias selvagens, Triste fim de Policarpo Quaresma, Macunaíma, Do amor e outros demônios e uma tese sobre os índios kaingangs. Tantas obras dispares refletem  minhas idéias fragmentadas, minha confusão, minha solidão e a pessoa cada vez mais indecisa, quixotesca, frívola e indulgente que me tornei, tudo ao mesmo tempo.

 É por isso que eu demorei a escrever. Tem sido difícil organizar os meus pensamentos e sensações para construir um texto coerente. Eu até tentei: quando constatei que minha vidinha medíocre não iria parar nas telas de cinema e que eu não inspiraria nenhum poema ou canção, decidi eu mesma me imortalizar escrevendo um livro. Parei. Estava ficando um tanto…hum… confuso.

No momento, estou procurando novas linguagens e formas de expressão. Voltei a pintar, faço alguns rabiscos, me apossei da caixa de costura da minha mãe, redecorei o meu quarto, fico feliz quando ganho uma caixa de lápis de cor ou de giz de cera e estou assistindo as reprises do Castelo Ratimbum. Decidi explorar minha “super” veia artística seguindo o conselho de Louise Bourgeois. A arte é realmente uma maneira de não enlouquecer. E pra quem diz que meus trabalhos nem são arte, eu respondo que eles são para mim como a flor de Drummond “É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”.

Postado por Regina Almeida

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9 respostas para Meio abstrata

  1. Foi a última mas não decepcionou em nenhuma vírgula. Você só precisa se convencer mais de como você ótima amiga, escreve deliciosamente bem e com um montão de cultura e conhecimento nessa caixola.
    Ah! Fiquei feliz quando vi que vc tá lendo Do amor e outros demônios…espero que goste…vivi também já leu, foi mais uma que convenci.
    Vem logo nos ver.
    Bjos

  2. Michele Mitsue disse:

    Eu também gosto muito da forma como você escreve Regina. Fiquei imaginando você entre lápis e gis de cores, remodelando o seu quarto enquanto costura e assiste o Castelo Ratimbum. Beijos e viva a abstração!

  3. Samara disse:

    Régis..nao nao nao..Régis nao..Regina amiga profundo. Fico feliz em você estar numa nova fase de sua vidaaa…Me inveja essa bagagem literária..e esse seu modo de ver a vida…Muitas saudadesss bjoo

  4. Hahaha e eu achei mesmo. Mas sem traumas, hein?! Muita saudade de você, Regis. Cuide-se. Venha visitar eu e o Gil aqui em SP. Ou venha morar pra cá! Beijos

  5. REGISSSS, os últimos serão os primeiros!!! Ta na hora de você se abrir pro mundo, pq faz tempo que ele ta aberto pra vc! Vem me ver logo! To com saudades!!!

  6. Regina disse:

    Obrigada, meus queridos!!! Sinto muito a falta de todos vcs e quero visitá-los em breve!!! Amo vcs!!

  7. Lis Sayuri disse:

    Regis, esse mundo devia ter mais gente meio abstrata como você. Ele anda muito manjado!

  8. renata nizer disse:

    Talvez eu seja a que conhece você por mais tempo. Da pré escola, talvez. E talvez a que menos conheceu… Mas como foi bom ler isso, Rê, conhecer um pouco mais você, seu intimo. Quanto brilho.

  9. Cris disse:

    Régis o negócio é que qdo vc chega vc apavora! hahaha Não nos deixe! beijos

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