Do Paraná pro Pará foi questão de um “na”

Por R$ 39,90 eu aterrissei em Belém sem saber muito desse estado. Como venho convivendo com nortistas e nordestinos, me dei conta da nossa ignorância geográfica, como concordamos errado os verbos, como somos aficionados pelos eixos pretensiosos do sul, sudeste e próximos.

Enfim, no outro dia parti pra ilha do Marajó com a Bárbara, doida, sedenta por ver índios mesmo que o Rafael dissesse que aqui não tem muito, que é mais pros lados de Manaus. Haha Encarei 3 horas de barco pra viver a maior experiência antropológica (rs) até hoje. Estar lá tem todo um fetiche. A Amazônia, é lá. O Equador, passa lá. Búfalos, lá tem de monte e são de verdade, não é só o bicho do redbull. Como disse a Bárbara, “a gente tá na linha do mapa!”, a linha do mapa (do Brasil) mais longe que a gente conseguiria chegar.

Um lugar onde não falta uma pipa cortando o céu, uma criança curiosa e tímida buscando seu olhar pra quando você a achar, ela fugir apenas olhando pro outro lado. Onde vive-se com pouco dinheiro, onde o assistencialismo impera e explica muita coisa. Onde vive um anjo chamado Nic. Ele é guia, tem uma singela agência de turismo, é vereador, tem duas graduações e uma especialização. Segundo ele, “Nic vem de niquelado, que reluz ouro.” Certa a definição ou não, eu devo a ele o brilho da nossa viagem. Mais ou menos como numa música, ele “sacou a nossa esquizofrenia e não maneirou na condução”. Nos conquistou naquele barco mesmo e tentou nos mostrar em 4 dias o que é viver lá. Roteiros turísticos sim, afinal a gente morreria se não andássemos num búfalo. Mas o mais precioso foi frequentar a casa dele, tomar o suco de goiaba da mãe dele, tomar a água de coco que ele correu ali pra pegar, subir numa canoa com ele e mais dois amigos pra pescar e voltar com 80kg de peixe pra casa. Não suficiente, sentar na mesa da família dos caras e almoçarmos o peixe. Poder aplaudir a quadrilha que ele correu um monte pra realizar, poder saber que a pastora tá afim dele, vê-lo anotar num papel no meio da rua o nome do próximo que vai ser beneficiado pelo “minha casa, minha vida”, conhecer o “brega” (rítmo típico do Pará) numa festa de terreiro que turista nenhum se atreveria a ir, subir no bug já topando a loucura que ele tinha só na cabeça dele.

Cada vez que eu sentia o vento bater na cara quando eu me pendurava naquele bug e rodava as estradinhas de Soure e Salvaterra eu acho que quase alcançava a plenitude, aquela que já conversei com uns de vocês. Difícil explicar. Nem quero explicar. Tudo que eu disser vai reduzir e o que eu mais sinto hoje é imensidão.

Postado por Lis Sayuri. “Meu corpo tá aqui, mas meu espírito é de lá.”

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5 respostas para Do Paraná pro Pará foi questão de um “na”

  1. Posso repetir o comentário, Lis? Tu és foda. E está escrevendo cada vez melhor, parabéns. Desse jeito quem vai ter que criar um blog pra eu visitar é você!

  2. Dizus disse:

    Caracas! Escorreu até uma lagriminha aqui com esse parágrafo final… Pensei que depois de tudo iria encontrar uma assinatura do tipo “Chico Xavier”, mas não, era Lis Sayuri mesmo, escrevendo do fundo da alma. Parabéns Lis! Lindo texto… Sensibilidade apurada!

    Aliás, bem bacana a iniciativa do blog! Vou acompanhando sempre que possível… Os textos são todos bem bacanas!

    Bjos.

    P.S.: também quero alcançar a plenitude por R$39,90! Onde comprou as passagens? Tô indo pro Pará agora!

  3. Lis Sayuri disse:

    huahuauhauhauahuahuahauhauahuahua a felicidade tá em promoção da Gol!

  4. Samy disse:

    Uma passagem para o Pará por R$ 39,00 no Mastercard….sentir a imensidão não tem preço.
    Amei amiga…sua viagem…Espero que um dia nós possamos fazer uma juntas.
    bjs

  5. Lis, sério, tô arrepiada. Sou apaixonada por essas terras aí de cima, também. Não, não conheço o norte, mas morei no nordeste e a familia da minha mãe é quase toda do centro-oeste, e sempre acho que o tempo nessas terras onde o sol é mais quente é pouco, muito pouco.
    Ainda vou viajar assim, com vontade mesmo. E preciso dizer que quase chorei quando li o “Tudo que eu disser vai reduzir e o que eu mais sinto hoje é imensidão.” Lindo. Perfeito!

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